sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Haver
Vinícius de Moraes
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.



Este seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu nem posso acreditar
Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu de você
Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração de que sonhou
Sonhou demais
Ah, se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos
[tom jobim]

Foi como tudo na vida que o tempo desfaz
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas enfim, como posso fingir
E pensar em você como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei mulher
E por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar

Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais
[paulinho da viola]

quinta-feira, 26 de novembro de 2009


Acabo de te trair
Em pensamento
Não deixo você ouvir
O que te traz sofrimento
Acabo de me trair
O que é que eu estou dizendo ?
Se é amor tem
Desencontros
Amar também
Um contra o outro
E lutar sempre
Por esse amor
Que morre e reascende
Melhor
Existem provas de amor
Provas de amor apenas
Provas de amor
Não existe o amor
Não existe o amor
Não existe o amor não existe
O amor
Apenas provas de amor
[titãs]

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta a mordida
Nós na batida no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão
Ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nossa convivio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que agente nem vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão
Ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum veneno anti monotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão
Ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum remédio que me de alegria
Ser teu pão
Ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E algum veneno anti monotonia
e algum….

domingo, 15 de novembro de 2009

"Ai o amor! Quer sentimento mais puro que esse? Felizes os que sabem amar e os que ainda não sabem podem aprender. Afinal, tudo na vida é aprendizado, por que amar seria diferente? Para fazer as coisas certas precisamos pensar antes de agir, assim como para amar precisamos usar a cabeça. Por que desespero depois de um rompimento amoroso? Foi bom enquanto durou. O amor pode permanecer, mas sem posse, sem a idéia fixa de que ficaremos juntos de qualquer maneira, até mesmo com o sofrimento. Não, isso não é real, é apenas ilusão. Quando amamos alguém e esse amor nos deixa mal de alguma forma, basta analisarmos a causa do sofrimento e nos desprendermos dela. Se o problema não é conosco e sim com o outro será que vale a pena insistir no relacionamento? Serão nesses questionamentos que sempre perceberemos o que é melhor para nós, sem deixar de lado o que é melhor para o outro, amar é troca, é atitude e quando temos a visão das coisas tudo se torna mais fácil, a cabeça é apenas uma aliada."
(Aldenir Queiroz)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009



Eu fico com essa dor
Ou essa dor tem que morrer
A dor que nos ensina
E a vontade de não ter
Sofrer de mais que tudo
Nós precisamos aprender
Eu grito e me solto
Eu preciso aprender
Curo esse rasgo ou ignoro qualquer ser
Sigo enganado ou enganando meu viver
Pois quando estou amando é parecido com sofrer
Eu morro de amores
Eu preciso aprender
[Doresdeamores-Luizmelodia]

quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Deixa eu lhe dizer
o que eu passei
desde que você
se desapegou de mim
eu zanzei pelas rua um mulambo
sonambulo, insano e insano
queria me atirar no mar
só pra me afogar
que ainda é melhor
que ser um devedor
das contas do amor

Preferia um deserto atravessar
sob o sol e as noites sem luar
do que dar meu braço a torcer
que vc não está
que vc não vem
faça-me um favor
volta para mim!

É o q sei dizer
nada mais
se não me repetir...

Que eu zanzei pela ruas um mulambo
sonambulo, insano e insano
queria me atirar no mar
só pra me afogar
que ainda é melhor
do que ser um desertor
dos campos do amor
preferia um deserto atravessar
sob um sol e as noites sem luar
do que dar meu braço a torcer
que vc não está
que vc não vem
faça-me um favor
volta para mim!

É o q sei dizer
nada mais
se não me repetir, outra vez
preferia um deserto atravessar
sob sol e as noites sem luar
do que dar o meu braço a torcer
que vc não está
que vc não vem
faça-me um favor
volta para mim!"
[Lulusantos]

"Eu e você frente a frente é o medo e o desejo
é a desconfiança é a esperança
é o grito e o silencio
é o gelo derretendo no fogo
eu e você frente a frente
é ter sempre que me confrontar
encarar os meus erros e as minhas razões
as minhas verdades e as minha ilusões
o meu poder e a minha impotência, a minha liberdade e os meus limites
quando eu tô na sua frente eu sinto toda a minha dor
mas só na sua frente eu posso sentir todo o meu amor."